Diante da ameaça de romper a continuidade de um evento tradicional e característico do Instituto de Biologia, o diretor Professor Jorge da Silva lançou uma proposta desafiadora a Lázaro Benedito e a Moema Bellintani. Os docentes foram convidados a liderarem uma comissão mista para organizar a Sembio, em tempo recorde. Resolvemos entrevistar alguns componentes dessa nova comissão para podermos saber o que os motivaram a participar da organização, quais tem sido os problemas enfrentados, quais estratégias a comissão tem lançado mão, quais as expectativas perante o evento e quais são os atrativos destaques na Semana.
A notícia da falta de organizadores para a Sembio alarmou o Instituto e motivou a nova comissão a “arregaçar as mangas”. “A ameaça de não acontecer a SEMBIO me estimulou a tomar frente mesmo quando as opiniões eram contrárias” (Rosane Santos - Infraestrutura). Nazaré Marchi, também da comissão de infraestrutura relata que “mesmo sem experiência resolvi abraçar a causa para não deixar a Sembio sucumbir”. Gilcimar Queiroz, ex-monitor de duas Semanas e atual componente da comissão de transportes e hospedagem, destaca a possibilidade de estabelecer um contato mais íntimo com professores e com profissionais de outras instituições. Para Lázaro, responsável pela coordenação geral e secretaria, a maior motivação é poder contribuir com a formação dos estudantes e com a divulgação do Instituto. “É uma oportunidade de apresentar aos estudantes de biologia a diversidade do conhecimento, além da sala de aula”. Moema Bellintani (coordenação geral, tesouraria e comissão científica) destaca a vantagem da comissão ser um grupo misto de professores e alunos, argumentando que os prós se complementam.
Dentre as dificuldades encontradas pelos organizadores, todas têm a disponibilidade curta de tempo como causa central. Com tempo curto para desenvolver, o trabalho tem sido intensivo, comenta Lázaro. “Não tivemos tempo de submeter o projeto às entidades de fomento, mesmo assim conseguimos patrocínio da CETREL e apoio do CF-BIO” acrescenta o docente.
Gilcimar destaca a não disponibilidade integral, de um carro cedido pela prefeitura de campus durante a Sembio como a principal dificuldade encontrada pela comissão que integra – o que tem sido realidade nas Semanas anteriores, segundo Eduardo, ex-integrante da comissão do evento.
As expectativas são bastante otimistas e o número de inscrito é animador. Segundo Sheila Resende (ex-aluna e atual Docente) da comissão de monitoria e tesouraria, apesar de menor, o evento será organizado.Lázaro adianta que essa Sembio deixará frutos positivos no Instituto e espera “despertar os estudantes, principalmente os mais novos, para um caminho a seguir na profissão”.
Os destaques da Semana deste ano serão a valorização da produção regional, a fusão com a Semana dos Polinizadores e a reciclagem como temática de palestras e atividades práticas. Questões atuais e importantes no cenário da biologia moderna são lembradas por Lázaro, que também destaca dois nomes de fora: Dr. Cláudio Sérgio Lisi (UFSE) e Dr. Luiz Henrique Rosa (UFOP) .
Eduardo alerta para a necessidade da comunidade estudantil de se envolver com a mobilização e organização da Sembio, com o intuito de manter vivo e renovado esse evento tão significativo.
Kathleen Deegan
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Transcriptoma: Escavação profunda com RNA-seq.
RNA-Seq envolve seqüenciamento de cDNAs (DNA complementar), obtidos a partir da ação da enzima transcriptase reversa sobre RNAs mensageiros, utilizando tecnologias de seqüenciamento com alto rendimento, permitindo que o nível de transcrição de uma determinada região genômica seja quantificada a partir da densidade de leituras correspondentes. Ao contrário das abordagens com arranjos, o RNA-Seq dá uma visão abrangente do transcriptoma. Outra vantagem é a sua capacidade de fornecer informações sobre as transcrições que são expressas em níveis muito baixos.
Além de olhar para padrões de expressão do RNA, o RNA-Seq pode permitir que os investigadores descubram novas classes de RNA, detecção de mutações pontuais nos transcritos expressos, identificar fusão de transcritos, descobrir novos eventos de splicing alternativo e análise de expressão de alelos (aplicações impossíveis com outras tecnologias).
Estudos com células-tronco e células de tecidos diversos de camundongos e humanos identificaram um grande número de transcritos anteriormente desconhecidos, forneceram novas informações sobre as posições dos promotores, exons e destacaram uma enorme diversidade de transcritos que podem ser gerados por splicing alternativo em mamíferos. O estudo em células humanas identificou 4.096 splices alternativos previamente desconhecidos em 3.106 genes.
Em si, estes trabalhos fornecem muitas novas descobertas para posterior investigação. Eles também destacam o quanto temos que aprender sobre a complexidade do transcriptoma eucariótico, abrindo o caminho para muitos mais estudos em diferentes espécies e tipos células.
Alexandre Marques
Além de olhar para padrões de expressão do RNA, o RNA-Seq pode permitir que os investigadores descubram novas classes de RNA, detecção de mutações pontuais nos transcritos expressos, identificar fusão de transcritos, descobrir novos eventos de splicing alternativo e análise de expressão de alelos (aplicações impossíveis com outras tecnologias).
Estudos com células-tronco e células de tecidos diversos de camundongos e humanos identificaram um grande número de transcritos anteriormente desconhecidos, forneceram novas informações sobre as posições dos promotores, exons e destacaram uma enorme diversidade de transcritos que podem ser gerados por splicing alternativo em mamíferos. O estudo em células humanas identificou 4.096 splices alternativos previamente desconhecidos em 3.106 genes.
Em si, estes trabalhos fornecem muitas novas descobertas para posterior investigação. Eles também destacam o quanto temos que aprender sobre a complexidade do transcriptoma eucariótico, abrindo o caminho para muitos mais estudos em diferentes espécies e tipos células.
Alexandre Marques
domingo, 18 de outubro de 2009
Provocação positiva
Gabriel Rodrigues, de 20 anos, é um dos estudantes do curso noturno de Ciências Biológicas, que durante o ensino médio não tinha nenhum estímulo especial pelo estudo de Biologia. Em 2007, foi informado sobre o programa de iniciação científica para estudantes do ensino médio da FIOCRUZ (PROVOC) e estimulado por uma de suas professoras da área de ciências humanas, para que se inscrevesse. Assim o fez e quando entrevistado, na seleção, pela coordenadora do programa da FIOCRUZ, Dra. Patrícia Veras, sobre suas preferências escolares, indicou línguas e as da área de ciências humanas, o que lhe fez crer que não teria chances de ser selecionado, pois o programa buscava estudantes com interesse na área de ciências da saúde ou biológicas. Talvez por sua sinceridade, talvez pelo excelente desempenho escolar, acabou sendo selecionado e passou a estagiar diretamente com a própria Dra. Patrícia. Esta experiência, que durou um ano e que lhe possibilitou vivenciar a busca de soluções para a cura de doenças, despertou em Gabriel definitivamente o interesse pelas ciências biológicas, levando-o a tentar o vestibular da UFBA em 2008 no que foi malogrado. Contudo, não desistiu e no ano seguinte fez sua segunda tentativa, desta vez, para o curso noturno, pois queria ter tempo livre durante o dia para realizar estágios. Achava que o vestibular para a turma noturna teria concorrência maior que o diurno e sendo o primeiro vestibular para a turma noturna da UFBA, teria grande demanda. Estava enganado, o vestibular foi menos concorrido. E passou, certamente não por isso, mas por ter se dedicado todo o ano para a 2ª empreitada, buscando conhecer a fundo o sonhado curso. Neste período, assistiu várias palestras no IBio, inclusive da coordenadora do curso e do representante do CRBio, participou da SEMBIO e freqüentava tanto o campus que amigos que estudavam na UFBA acreditavam que ele já era um estudante regular da universidade. Agora, sim, já é um dos estudantes da UFBA. E ainda mais seguro de ter feito a escolha certa.
Apesar de gostar muito das atividades de ensino, Gabriel pretende obter habilitação de bacharel, mas independente disso, buscará as oportunidades de atuar em pesquisa, seja na iniciação científica, seja nos cursos de pós-graduação. Cedo de mais para pensar nisso? Certamente não, para quem já mostrou que tem determinação e sabe exatamente o que quer.
Apesar de gostar muito das atividades de ensino, Gabriel pretende obter habilitação de bacharel, mas independente disso, buscará as oportunidades de atuar em pesquisa, seja na iniciação científica, seja nos cursos de pós-graduação. Cedo de mais para pensar nisso? Certamente não, para quem já mostrou que tem determinação e sabe exatamente o que quer.
A universidade mais universal ainda.
Nos últimos dois anos diferentes unidades da UFBA iniciaram a oferta de cursos noturnos a reboque do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – Reuni. Dentre os novos cursos está a licenciatura em Ciências Biológicas que teve sua 1ª turma iniciada neste segundo semestre de 2009. O responsável pela coordenação desta turma, o prof. Geraldo Aquino, considera que mais importante do que receber as contrapartidas oferecidas pelo programa REUNI, a Universidade cumpre uma obrigação com a sociedade, ampliando vagas e criando cursos à noite. Em relação às referidas contrapartidas, é fato que no Instituto de Biologia, ocorreram contratações visando uma ampliação do corpo docente para dar suporte aos cursos noturnos. A profa Alessandra Schnadelbach é uma dessas docentes, já atuando na única disciplina ministrada para os calouros no IBio e declara que se sente honrada em ter ingressado na UFBA com essa missão pioneira e esse desafio. Afirma ainda que, por ser, assim como os estudantes, iniciante na UFBA, existe profunda sintonia entre ela e o grupo. Muitos dos estudantes já a procuram fora de sala de aula pensando em oportunidades de estágio em pesquisa.
Por outro lado, as contrapartidas de estrutura ainda não são sentidas no Instituto. Até o momento o Instituto de Biologia não está na lista de unidades com obras em andamento ou já licitadas. Segundo a vice-diretora, Luciana Veiga, o atraso se deu por conta do inesperado incêndio do Instituto de Química, mas o projeto de expansão deverá estar concluído até dezembro deste ano quando a universidade abrirá licitação para a construção do anexo, prevista para iniciar em março de 2010. Este projeto deverá ter como base a proposta construída pela comunidade do IB, que já foi encaminhado à pró-reitoria.
Ainda alheios às novidades da Universidade, os calouros do curso noturno vivem aquilo que é novidade para cada um deles: o sonho do curso universitário. À medida que assimilam a rotina do curso que envolve o trânsito por diferentes unidades de ensino, vão descobrindo os desafios e limitações das aulas à noite na UFBA. A falta de uma cantina que funcione à noite e o horário de funcionamento da biblioteca são umas das dificuldades enfrentadas, já que o horário mais conveniente para utilizar estes serviços é entre os dois horários de aula, por volta de 20:30h. Outra limitação é a indisponibilidade de computadores com acesso à internet, para trabalhos e consultas. Além de outras tantas expectativas, o grupo se mostra estimulado.
O perfil do curso, levantado pela coordenação, mostra que a nova turma se diferencia um pouco do perfil geral dos estudantes que costumam ingressar nas turmas diurnas. A média de idade dos estudantes é de 22 anos e destacam-se os fatos de que mais de 40% dos estudantes são provenientes do interior do estado e cerca de 66% trabalham durante o dia. Uma parcela de 36% cursava Biologia em universidade privada, e alguns foram estudantes da própria UFBA e por motivos de trabalho precisavam continuar seus estudos à noite. O grupo demonstra grande satisfação por integrar a 1ª turma do curso noturno oferecido na modalidade de licenciatura, mas 25% dos estudantes preferiam ter tido a opção da modalidade bacharelado e 46%, embora preferissem, de fato, a licenciatura fariam a segunda habilitação após a conclusão da primeira. Um dos novos estudantes, inclusive, foi motivado a submeter-se ao vestibular pela experiência de iniciação científica júnior, no programa PROVOC da Fiocruz, que possibilita o contato de estudantes do ensino médio público com atividades de pesquisa (Veja entrevista no BOX).
Por outro lado, as contrapartidas de estrutura ainda não são sentidas no Instituto. Até o momento o Instituto de Biologia não está na lista de unidades com obras em andamento ou já licitadas. Segundo a vice-diretora, Luciana Veiga, o atraso se deu por conta do inesperado incêndio do Instituto de Química, mas o projeto de expansão deverá estar concluído até dezembro deste ano quando a universidade abrirá licitação para a construção do anexo, prevista para iniciar em março de 2010. Este projeto deverá ter como base a proposta construída pela comunidade do IB, que já foi encaminhado à pró-reitoria.
Ainda alheios às novidades da Universidade, os calouros do curso noturno vivem aquilo que é novidade para cada um deles: o sonho do curso universitário. À medida que assimilam a rotina do curso que envolve o trânsito por diferentes unidades de ensino, vão descobrindo os desafios e limitações das aulas à noite na UFBA. A falta de uma cantina que funcione à noite e o horário de funcionamento da biblioteca são umas das dificuldades enfrentadas, já que o horário mais conveniente para utilizar estes serviços é entre os dois horários de aula, por volta de 20:30h. Outra limitação é a indisponibilidade de computadores com acesso à internet, para trabalhos e consultas. Além de outras tantas expectativas, o grupo se mostra estimulado.
O perfil do curso, levantado pela coordenação, mostra que a nova turma se diferencia um pouco do perfil geral dos estudantes que costumam ingressar nas turmas diurnas. A média de idade dos estudantes é de 22 anos e destacam-se os fatos de que mais de 40% dos estudantes são provenientes do interior do estado e cerca de 66% trabalham durante o dia. Uma parcela de 36% cursava Biologia em universidade privada, e alguns foram estudantes da própria UFBA e por motivos de trabalho precisavam continuar seus estudos à noite. O grupo demonstra grande satisfação por integrar a 1ª turma do curso noturno oferecido na modalidade de licenciatura, mas 25% dos estudantes preferiam ter tido a opção da modalidade bacharelado e 46%, embora preferissem, de fato, a licenciatura fariam a segunda habilitação após a conclusão da primeira. Um dos novos estudantes, inclusive, foi motivado a submeter-se ao vestibular pela experiência de iniciação científica júnior, no programa PROVOC da Fiocruz, que possibilita o contato de estudantes do ensino médio público com atividades de pesquisa (Veja entrevista no BOX).
domingo, 20 de setembro de 2009
As galinhas coloridas de Xique-xique.
Os causos de Arobed.
A história que eu vou contar aqui é pura verdade. Ela merma. Nua e crua. Do jeitcho que veio ao mundo. A verdade. Pois bem, a história que eu vou contar hoje foi o dia que eu, mais Curisco, mais Dadá nos perdemo nesse sertão veredas. Saimo de Xique-xique pra desembocar em Lençois. Causa de quê, tinha um diacho de uma onça lá que comeu as galinha tudo. Então, Horácio de Matos encomendou uma galinha colorida de Xique-xique pra matar a onça.
EITCHA AROBED! Mas como é que galinha vai matar onça?
Agora! Mas num tá vendo que as bicha é colorida. Essas bicha né normal, não, cabra! Essas galinha só dá em Xique-xique. E depois que deu, não dá mais. Pois é, só bota ovo uma vez. E pra do ovo nascer outra galinha, tem que chocar na fonte do Rio que Cai, lá em Xique-xique. Os pintinho parece uns girinozinho. É os único pinto que nasce nadando. Nem piu-piu faz, nem nada. Se choca em outro lugar, sai o vento, mais nada. Pois então, essa galinha tem um cuspe que come carne viva de bicho de carne. Assim que nem eu, tu e a onça. E transportar essas bicha é um pirigo! Já perdemo dois jegue e um cavalo causa do cuspe dessa bicha. Pra transportar essas galinha, tem que colocar elas de cabeça pra baixo num balaio todo coberto, pra elas pensar que é noite e dormir. Pois então, Curisco arrumou as galinha, eu os balaio e Dadá os jegue. Arrumamo tudo e subimo serra. Fomo nóis mais 30 galinha de Xique-xique à Lençois. O dia ainda querendo insolar, céu limpinho, sem nuvi e o jabazinho no borço. Tudo tava mutcho bem. Até que, lá na altura do Riacho das Pedrinha, nóis encostamo pra almoçar e descansar. Foi aí que a jiripoca piou. Quando Curisco assentou o balaio no chão, pra mô do jeguinho descansar tombém, sai duas galinha avoando do balaio. “Valei-me minha Nossa Senhora!”. “Pega as galinha, Curisco!”. “Eu não! Pega tu! Vai que me cospe!”. “Tu não é macho não, homem?”. “Contra cuspe de galinha colorida, não tem macho certo!”. E lá se vai, eu mais Dadá, buscar essas galinha. Depois de mais ou menos uma hora de caça, lá vem Curisco com os jegue. “O céu tá nuvinoso. Vai chover.”. “Tu veio aqui só pra dizer isso, foi?”. “Foi”. “Tu se lembra onde a gente tava?”. “Não.”. “Nos perdemo, foi?”. ”Foi.”. “Lenhou-se!”. Pois que passamo 30 dias e 30 noites correndo esse sertão vereda pra cima e pra baixo, buscando as galinha, sem comer e sem beber. Na 29ª noite, eis que eu, mais Curisco, mais Dadá avista duas galinha colorida mais uma onça, dormindo juntinho, mermo que marido e mulé. Eitcha que foi uma euforia só! Sai os três correndo, no pique, até que o espírito de Padin Pade Ciço aparece na nossa frente. “Valei-me minha Nossa Senhora!”. “Oxente! Padin Pade Ciço?”. “Eu mesmo!”. “Ô meu Padin, nóis morreu, foi?”. “Que eu saiba, não. Mas é bom dá uma checada. Enfim, eu não vim para dizer se vocês estão vivos ou mortos. Eu vim aqui para vocês deixarem as galinhas e a onça em paz.”. “Essa é a onça que Horácio quer matar?”. “É sim. Mas ela já não faz mal. Na verdade, nunca fez.”. “Mas o quê que a gente vai dizer pra Horácio de Matos?”. “Diga ‘Oi’.”. “Vixi Maria! Tá bom, então.”. No dia seguinte, a gente chega em Lençois. Horácio de matos chega, óia e fica quieto. “Oi.”. “Ô meu Padin Pade Ciço!”. Não é que o Padin Pade Ciço entrou no sonho do cabra e mandou ele dá uma festa pra as duas muié e o homem que iam chegar de manhã dizendo “Oi.”! Pois então, não precisamo matar nenhuma onça, nem nada. As outras galinhas, nóis sortó na 29ª noite, pra as bichinha viver. Dizem que essas galinha fundaram uma sociedade delas mais as onça e que exportam artesanato pras Oropa. Graças a Padin Pade Ciço! Fim.
Autor: Debora Santedicola.
Complemento de Sim_Biose.
A história que eu vou contar aqui é pura verdade. Ela merma. Nua e crua. Do jeitcho que veio ao mundo. A verdade. Pois bem, a história que eu vou contar hoje foi o dia que eu, mais Curisco, mais Dadá nos perdemo nesse sertão veredas. Saimo de Xique-xique pra desembocar em Lençois. Causa de quê, tinha um diacho de uma onça lá que comeu as galinha tudo. Então, Horácio de Matos encomendou uma galinha colorida de Xique-xique pra matar a onça.
EITCHA AROBED! Mas como é que galinha vai matar onça?
Agora! Mas num tá vendo que as bicha é colorida. Essas bicha né normal, não, cabra! Essas galinha só dá em Xique-xique. E depois que deu, não dá mais. Pois é, só bota ovo uma vez. E pra do ovo nascer outra galinha, tem que chocar na fonte do Rio que Cai, lá em Xique-xique. Os pintinho parece uns girinozinho. É os único pinto que nasce nadando. Nem piu-piu faz, nem nada. Se choca em outro lugar, sai o vento, mais nada. Pois então, essa galinha tem um cuspe que come carne viva de bicho de carne. Assim que nem eu, tu e a onça. E transportar essas bicha é um pirigo! Já perdemo dois jegue e um cavalo causa do cuspe dessa bicha. Pra transportar essas galinha, tem que colocar elas de cabeça pra baixo num balaio todo coberto, pra elas pensar que é noite e dormir. Pois então, Curisco arrumou as galinha, eu os balaio e Dadá os jegue. Arrumamo tudo e subimo serra. Fomo nóis mais 30 galinha de Xique-xique à Lençois. O dia ainda querendo insolar, céu limpinho, sem nuvi e o jabazinho no borço. Tudo tava mutcho bem. Até que, lá na altura do Riacho das Pedrinha, nóis encostamo pra almoçar e descansar. Foi aí que a jiripoca piou. Quando Curisco assentou o balaio no chão, pra mô do jeguinho descansar tombém, sai duas galinha avoando do balaio. “Valei-me minha Nossa Senhora!”. “Pega as galinha, Curisco!”. “Eu não! Pega tu! Vai que me cospe!”. “Tu não é macho não, homem?”. “Contra cuspe de galinha colorida, não tem macho certo!”. E lá se vai, eu mais Dadá, buscar essas galinha. Depois de mais ou menos uma hora de caça, lá vem Curisco com os jegue. “O céu tá nuvinoso. Vai chover.”. “Tu veio aqui só pra dizer isso, foi?”. “Foi”. “Tu se lembra onde a gente tava?”. “Não.”. “Nos perdemo, foi?”. ”Foi.”. “Lenhou-se!”. Pois que passamo 30 dias e 30 noites correndo esse sertão vereda pra cima e pra baixo, buscando as galinha, sem comer e sem beber. Na 29ª noite, eis que eu, mais Curisco, mais Dadá avista duas galinha colorida mais uma onça, dormindo juntinho, mermo que marido e mulé. Eitcha que foi uma euforia só! Sai os três correndo, no pique, até que o espírito de Padin Pade Ciço aparece na nossa frente. “Valei-me minha Nossa Senhora!”. “Oxente! Padin Pade Ciço?”. “Eu mesmo!”. “Ô meu Padin, nóis morreu, foi?”. “Que eu saiba, não. Mas é bom dá uma checada. Enfim, eu não vim para dizer se vocês estão vivos ou mortos. Eu vim aqui para vocês deixarem as galinhas e a onça em paz.”. “Essa é a onça que Horácio quer matar?”. “É sim. Mas ela já não faz mal. Na verdade, nunca fez.”. “Mas o quê que a gente vai dizer pra Horácio de Matos?”. “Diga ‘Oi’.”. “Vixi Maria! Tá bom, então.”. No dia seguinte, a gente chega em Lençois. Horácio de matos chega, óia e fica quieto. “Oi.”. “Ô meu Padin Pade Ciço!”. Não é que o Padin Pade Ciço entrou no sonho do cabra e mandou ele dá uma festa pra as duas muié e o homem que iam chegar de manhã dizendo “Oi.”! Pois então, não precisamo matar nenhuma onça, nem nada. As outras galinhas, nóis sortó na 29ª noite, pra as bichinha viver. Dizem que essas galinha fundaram uma sociedade delas mais as onça e que exportam artesanato pras Oropa. Graças a Padin Pade Ciço! Fim.
Autor: Debora Santedicola.
Complemento de Sim_Biose.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Lista de Cursos Noturnos da UFBA.
Física;
Geografia;
História;
Química;
Matemática;
Biotecnologia;
Farmácia;
Saúde Coletiva;
Arquitetura e Urbanismo;
Engenharia da Computação;
Engenharia de Controle e Automação de Processos;
Engenharia de Produção;
Gastronomia;
Arquivologia;
Ciências Contábeis;
Direito;
Estudos de Gênero e Diversidade;
Letras Vernáculas;
Língua Estrangeira.
Complemento de BOX.
Geografia;
História;
Química;
Matemática;
Biotecnologia;
Farmácia;
Saúde Coletiva;
Arquitetura e Urbanismo;
Engenharia da Computação;
Engenharia de Controle e Automação de Processos;
Engenharia de Produção;
Gastronomia;
Arquivologia;
Ciências Contábeis;
Direito;
Estudos de Gênero e Diversidade;
Letras Vernáculas;
Língua Estrangeira.
Complemento de BOX.
terça-feira, 5 de maio de 2009
SEMANA DE BIOLOGIA DA UFBA 2009: UMA INCÓGNITA!

Mas o que significa incógnita? Segundo alguns dicionários da língua portuguesa, a palavra incógnita nos remete a algo desconhecido, algo que se procura saber, ou ainda, algo incerto. Acredito que esta seja a palavra mais adequada, neste momento, para nos referirmos à Semana de Biologia da UFBA, um evento de caráter regional que costuma (ainda não me sinto a vontade em me dirigir ao mesmo no passado, costumava!) acontecer anualmente no Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia.
Por que utilizar logo esta palavra? Utilizo esta palavra, pois estamos atravessando, este ano de 2009, a ameaça deste evento, tão prestigiado pelas comunidades docentes e discentes do Norte-Nordeste e, principalmente, pela própria comunidade da UFBA, não acontecer! Desta forma, apresento a você, atento leitor, algumas reflexões que me foram incumbidas para fazer face a esta ameaça e suas repercussões na comunidade não apenas do IBIO-UFBA, mas à comunidade representada por todos aqueles que participavam, com tanta garra e vontade, desta semana.
De acordo com a proposta que me foi dirigida pelos editores deste jornal, vou me deter aqui às seguintes questões: Que estímulos me levaram a fazer parte da organização do evento; qual o impacto desta ameaça dentro e fora da comunidade do IBIO-UFBA, analisando em especial o fato de o evento estar há vários anos sob a regência dos estudantes; Quais os possíveis motivos para os estudantes estarem desestimulados em assumir a organização em 2009.
A despeito destas questões, considero fundamental para a sua compreensão, atento leitor, recorrer previamente a um breve histórico do evento, caso contrário estaria reduzindo a complexidade desta situação a uma simples opinião particular. Entretanto, ressalto que existem controvérsias no que diz respeito a este enredo, colocando assim os diversos pontos de vista sobre este assunto em conflito; o que torna a minha tarefa ainda mais desafiadora.
O estímulo para fazer parte da comissão organizadora do evento partiu, principalmente, da vontade em realizar no local onde estudei durante, pelo menos, quatro anos um evento de qualidade e que representasse dignamente o nosso IBIO-UFBA diante de outros eventos regionais. Fazer parte da comissão organizadora, em algum momento, se impôs a mim como um retorno em gratidão aos anos de tanta aprendizagem e reflexão que tive no Instituto de Biologia durante a graduação. Este sim deveria ser o sentimento que, a meu ver, deveria contagiar a todos que se empenham em tal tarefa.
O impacto desta ameaça, dentro e fora da comunidade do IBIO, se expressa através das expressões perplexas e atônitas dos estudantes em face a este acontecimento. O fato de o evento estar, ao longo destes quatro anos, sob a responsabilidade direta dos estudantes, atrelado ao fato de que o mesmo já assumiu um caráter regional aumenta ainda mais o impacto de sua omissão. A representação estudantil permitiu ao evento uma difusão nunca experimentada antes, através de sites, blogs, sites de relacionamento pessoal, e-mails, visitas a outras instituições de ensino superior e etc. Desta forma, com o passar do tempo, o evento tornou-se de grande importância no cenário baiano e de outros estados nordestinos, conforme se pode constatar pela crescente participação de estudantes e professores residentes de/em outros estados. De acordo com levantamentos estatísticos do evento, podemos identificar participantes de instituições como: UCSAL, UNIME, FTC, FIOCRUZ, IBAMA, UESC, UESB, UFRB, UNIJORGE, UFPB, UNEB, UEFS e etc; constatando assim a relevância do mesmo no cenário educativo.
Agora, caro leitor, a grande questão: o desestímulo dos estudantes em continuar a organizar este evento. Ao longo destes últimos anos, a SEMBIO tem sido encarada como um evento de caráter mercantilista, associado a esta lógica de mercado na qual vivemos atualmente. Nesse sentido, denuncio este caráter, que muitas vezes é expresso no próprio IBIO-UFBA; um caráter que enxerga o evento simplesmente como um “serviço” a ser prestado por uma comissão organizadora rígida, intolerante, formada por alunos “desocupados” que se “arriscam” em organizar um evento de tal magnitude “sozinhos” em troca de dinheiro que, diga-se nesta oportunidade, é utilizado única e exclusivamente para o custeio do evento.
Enxergar a SEMBIO por tal ótica é abrir mão da sua participação, caro leitor, em construir tal evento, é render-se diante desta ameaça que se estabelece este ano de 2009 em que sequer uma comissão organizadora foi estruturada (visto que o evento costuma acontecer entre agosto e setembro em comemoração ao dia do biólogo), é, em última análise, entendê-la como um “serviço” que, assim como qualquer outro, pode simplesmente deixar de ser prestado à comunidade.
Defendo, nesta oportunidade, o FAZER-SEMBIO através de uma “metodologia de construção coletiva”, em que todos os membros de nossa comunidade sintam-se empenhados em contribuir com o desenvolvimento de tal evento. Destaco ainda, a participação de representantes das mais diversas instâncias da comunidade acadêmica nesta realização, a fim de que todos estes segmentos sejam contemplados durante a elaboração e desenvolvimento da semana. Então, o leitor atento se pergunta: e a comissão organizadora seria então desfeita? Não! Considero imprescindível, como em todo e qualquer evento, a formação de uma comissão organizadora que terá como função sistematizar as diversas idéias oriundas dos diferentes seguimentos acadêmicos com o objetivo de oferecer uma programação de qualidade.
Nesta direção, termino esta minha reflexão com a seguinte frase: “A vida de um indivíduo só faz sentido se ajuda a tornar a vida das demais criaturas mais nobre e mais bela.” (Einstein).
Clívio Pimentel Júnior
Licenciado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal da Bahia
Por que utilizar logo esta palavra? Utilizo esta palavra, pois estamos atravessando, este ano de 2009, a ameaça deste evento, tão prestigiado pelas comunidades docentes e discentes do Norte-Nordeste e, principalmente, pela própria comunidade da UFBA, não acontecer! Desta forma, apresento a você, atento leitor, algumas reflexões que me foram incumbidas para fazer face a esta ameaça e suas repercussões na comunidade não apenas do IBIO-UFBA, mas à comunidade representada por todos aqueles que participavam, com tanta garra e vontade, desta semana.
De acordo com a proposta que me foi dirigida pelos editores deste jornal, vou me deter aqui às seguintes questões: Que estímulos me levaram a fazer parte da organização do evento; qual o impacto desta ameaça dentro e fora da comunidade do IBIO-UFBA, analisando em especial o fato de o evento estar há vários anos sob a regência dos estudantes; Quais os possíveis motivos para os estudantes estarem desestimulados em assumir a organização em 2009.
A despeito destas questões, considero fundamental para a sua compreensão, atento leitor, recorrer previamente a um breve histórico do evento, caso contrário estaria reduzindo a complexidade desta situação a uma simples opinião particular. Entretanto, ressalto que existem controvérsias no que diz respeito a este enredo, colocando assim os diversos pontos de vista sobre este assunto em conflito; o que torna a minha tarefa ainda mais desafiadora.
O estímulo para fazer parte da comissão organizadora do evento partiu, principalmente, da vontade em realizar no local onde estudei durante, pelo menos, quatro anos um evento de qualidade e que representasse dignamente o nosso IBIO-UFBA diante de outros eventos regionais. Fazer parte da comissão organizadora, em algum momento, se impôs a mim como um retorno em gratidão aos anos de tanta aprendizagem e reflexão que tive no Instituto de Biologia durante a graduação. Este sim deveria ser o sentimento que, a meu ver, deveria contagiar a todos que se empenham em tal tarefa.
O impacto desta ameaça, dentro e fora da comunidade do IBIO, se expressa através das expressões perplexas e atônitas dos estudantes em face a este acontecimento. O fato de o evento estar, ao longo destes quatro anos, sob a responsabilidade direta dos estudantes, atrelado ao fato de que o mesmo já assumiu um caráter regional aumenta ainda mais o impacto de sua omissão. A representação estudantil permitiu ao evento uma difusão nunca experimentada antes, através de sites, blogs, sites de relacionamento pessoal, e-mails, visitas a outras instituições de ensino superior e etc. Desta forma, com o passar do tempo, o evento tornou-se de grande importância no cenário baiano e de outros estados nordestinos, conforme se pode constatar pela crescente participação de estudantes e professores residentes de/em outros estados. De acordo com levantamentos estatísticos do evento, podemos identificar participantes de instituições como: UCSAL, UNIME, FTC, FIOCRUZ, IBAMA, UESC, UESB, UFRB, UNIJORGE, UFPB, UNEB, UEFS e etc; constatando assim a relevância do mesmo no cenário educativo.
Agora, caro leitor, a grande questão: o desestímulo dos estudantes em continuar a organizar este evento. Ao longo destes últimos anos, a SEMBIO tem sido encarada como um evento de caráter mercantilista, associado a esta lógica de mercado na qual vivemos atualmente. Nesse sentido, denuncio este caráter, que muitas vezes é expresso no próprio IBIO-UFBA; um caráter que enxerga o evento simplesmente como um “serviço” a ser prestado por uma comissão organizadora rígida, intolerante, formada por alunos “desocupados” que se “arriscam” em organizar um evento de tal magnitude “sozinhos” em troca de dinheiro que, diga-se nesta oportunidade, é utilizado única e exclusivamente para o custeio do evento.
Enxergar a SEMBIO por tal ótica é abrir mão da sua participação, caro leitor, em construir tal evento, é render-se diante desta ameaça que se estabelece este ano de 2009 em que sequer uma comissão organizadora foi estruturada (visto que o evento costuma acontecer entre agosto e setembro em comemoração ao dia do biólogo), é, em última análise, entendê-la como um “serviço” que, assim como qualquer outro, pode simplesmente deixar de ser prestado à comunidade.
Defendo, nesta oportunidade, o FAZER-SEMBIO através de uma “metodologia de construção coletiva”, em que todos os membros de nossa comunidade sintam-se empenhados em contribuir com o desenvolvimento de tal evento. Destaco ainda, a participação de representantes das mais diversas instâncias da comunidade acadêmica nesta realização, a fim de que todos estes segmentos sejam contemplados durante a elaboração e desenvolvimento da semana. Então, o leitor atento se pergunta: e a comissão organizadora seria então desfeita? Não! Considero imprescindível, como em todo e qualquer evento, a formação de uma comissão organizadora que terá como função sistematizar as diversas idéias oriundas dos diferentes seguimentos acadêmicos com o objetivo de oferecer uma programação de qualidade.
Nesta direção, termino esta minha reflexão com a seguinte frase: “A vida de um indivíduo só faz sentido se ajuda a tornar a vida das demais criaturas mais nobre e mais bela.” (Einstein).
Clívio Pimentel Júnior
Licenciado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal da Bahia
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